Ascensão do Senhor
Manuel da Costa Athayde
Entre 1801 e 1820
É uma obra suave em suas formas e cores e nos dá aquela sensação de leveza dos sonhos e do espírito.
Aquela ânsia de infinito do barroco está muito bem representada pelos pilares simulados que aparecem para "continuar" a capela.
É uma composição bastante equilibrada, não só pelo elemento humano (de construção triangular, aos moldes da pintura renascentista), mas também pela moldura e demais componentes pictóricos, no melhor estilo barroco.
A dinâmica visual desta obra leva nossos olhos diretamente ao centro e depois às extremidades.
Existe uma homogeneidade entre figura e fundo porque desprezando-se os elementos de adorno, as nuvens situadas atrás do Cristo e a superposição das figuras são os únicos elementos que nos dão a sensação de profundidade. Considerando, porém, os adornos e demais elementos a sensação que se tem é que só esses elementos é que formam a pintura, sendo o fundo amarelo descartável e o bloco humano uma imagem "real" além da abertura do teto.
Enfim, os elementos circundantes e as próprias figuras humanas, apesar de estarem pintadas num mesmo plano e formarem uma só pintura, apresentam-se como isoladas.
É uma obra de fervor religioso muito grande, sentimento típico do barroco. O Cristo, na cena, é colocado no centro de tudo. Sendo ele uma divindade, posiciona-se acima dos outros personagens e representa a própria luz divina e redentora. Executada no forro da Matriz de Santo Antônio, em Santa Bárbara (MG), ela dá a sensação de uma janela aberta neste forro, o que significa que o reino dos céus é algo muito maior que uma simples capela - que representa a porta para se entrar neste reino - e está muito além do mundo terreno dos homens.